teatro
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Canal de comunicação e expressão de Verônica Tamaoki - seus trabalhos, seus projetos, suas dúvidas, seus desejos, seus anseios
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Publicado por admin em 24 Abr 2007 | sob: circo, teatro, circo-teatro, história, circenses
A Federação Circense foi fundada no dia 20 de março de 1925, sob o lema UNIDOS SEREMOS FORTES. Conforme seu estatuto, tinha como meta “congregar todos os artistas, empresários, diretores, secretários, músicos e quaisquer outros auxiliares de circo, com o fim de se beneficiarem mutuamente, elevando a classe, moral e materialmente, e empenhando-se com todas as forças pela maior harmonia entre os seus membros”.
O principal objetivo da Federação era “manter um LAR e um HOSPITAL, próprio ou não, para amparar o artista na invalidez, na indigência e nas enfermidades, e os órfãos, de associados, em condições precárias”.
Conforme seu estatuto, a Federação Circense era administrada por:uma Diretoria Central, com o mandato de um ano e com direito à reeleição, formada por Presidente, Vice Presidente, Primeiro Secretário e Tesoureiro, todos os cargos com 3 representantes – 1º , 2º e 3º -. eleitos em Assembléia Geral. Possuía também um Conselho Fiscal Consultivo: formado por 11 membros, sendo 9 efetivos e 6 suplentes, também eleitos em Assembléia Geral..
E era composta por delegacias assim denominadas:
Delegacias Gerais – São Paulo e Rio de Janeiro – constituídas por associados “avulsos ou de residência fixa”.
Delegacias Fixas – em localidades onde tivessem residência fixa ao menos dez associados. Faziam parte dessa categoria principalmente as corporações musicais.
Delegacias Ambulantes – circos itinerante filiados
Todas delegacias possuíam uma diretoria central constituída de um delegado, um secretário e um tesoureiro, sendo que as duas delegacias gerais possuíam mais três auxiliares: dois inspetores e um procurador, sendo este último responsável pela cobrança das mensalidades dos associados avulsos.Todos os associados estavam necessariamente subordinados a uma delegacia.
Em menos de 2 anos – com o pagamento de mensalidades e jóias de admissão dos associados, festivais (espetáculos cuja renda era revertida para a Federação) e outras fontes como doações, vendas de clichês, carteiras de identificação, cartões, e taxa de entradas de favor, a Federação Circense acumulou capital que a permitiu, em janeiro de 1927, adquirir uma chácara de 25 000 metros quadrados, no bairro da Saúde, cidade de São Paulo, para que nela fosse erguido um “LAR e um HOSPITAL para o artista circense.
O Boletim Mensal da Federação Circense de abril de 1927, nº 24, publicou mais detalhes sobre a chácara adquirida, denominada CHÁCARA CIRCENSE, parece até a descrição da terra prometida:
“Trata-se de um propriedade, distante 15 km do Largo da Sé, e 1800 m do bonde Av. Jabaquara, , com uma área de 25 000 metros quadrados, tendo água corrente, uma excelente fonte de água potável, podendo ser a mesma explorada para a venda em garrafões, dada a sua quantidade e pureza, uma casa de moradia construída de tijolos, uma casinha com paredes de barro e pau a pique, uma cocheira para animais, um carramanchão de bom acabamento, um poço revestido de tijolos com encanamento e respectiva bomba, e as seguintes plantações: 4 mil pés de abacaxis, mil pé de eucalyptos, 500 videiras, 400 pinheirinhos, 103 pereiras, 40 mexeriqueiras, 25 limeiras, 15 pessegueiros, 15 pés de ameixa do Pará, 13 pés de kakys, 12 figueiras, 15 ameixeiras, 11 cidreiras, 11 castanheiras, 7 macieiras, 7 jabuticabeiras, 9 marmeleiros, 4 goiabeiras, 1 pinheiro. 16 cafeeiros, além de outras plantações que não foram anotadas, convindo salientar que na sua quase totalidade, as fruteiras aqui enumeradas acham-se em franca productividade, sendo o solo fertilíssimo, e dispondo ainda de terreno para desenvolver maior número de plantações.”
Como a coleção que se encontra sob minha guarda possui apenas os nºs 1 a 25 e 43, não tenho como acompanhar a trajetória da Federação através do Boletim. Ainda não encontrei nada relevante nas consultas que tenho feito em acervos de imprensa da época. Aí me lembrei da coleção revista Scena do Circo Theatro Romano, editada por Francisco Colman. Fui consultá-la. Encontrei artigo anunciando a dissolução da Federação Circense em 1938. Surpresa! Eu supunha que isso tivesse acontecido em 1929, quando a Cruz Azul iniciou construção de seu hospital no bairro do Cambuci, já que eu também supunha que o hospital tinha sido erguido na antiga CHÁCARA CIRCENSE. Mas hoje, ao receber as certidões que solicitei ao 1o Cartório de Ofício de Imóveis de São Paulo, descobri que a CHÁCARA CIRCENSE estava localizada no bairro Saúde e que foi transferida para a Cruz Azul em 1937.
Na próxima edição irei abordar outros aspectos da Federação Circense como número de associados e delegacias. Termino solicitando colaborações e sugestõe. Até já.
Projeto realizado com Recursos Federais - Ministério da Cultura
FUNARTE - Fundação Nacional de Arte/Centro de Artes Cênicas
Apoio:
DPH-PMSP - Departamento do Patrimônio Histórico/Prefeitura Municipal de S. Paulo
ASFACI - Associação de Famílias e Artistas Circenses
Publicado por admin em 19 Abr 2007 | sob: circo, teatro, circo-teatro, história
A partir de hoje – 19 de abril de 2007, dia do Índio no mundo dos brancos – ocupo a tribuna deste blog para compartilhar o projeto de pesquisa “Unidos seremos Fortes”, que tem como objetivo fazer levantamento da história da primeira associação da classe circense no Brasil, a Federação Circense, fundada em 1925 na cidade de São Paulo.
O projeto nasceu da necessidade de interromper processos de deterioração, restaurar e preservar a coleção Boletim Mensal Federação Circense, (Nº 1 ao 25, e 43, publicados entre 1925 e 1928), e, por fim, compartilhar essa valiosa fonte de pesquisa sobre o circo brasileiro com a geração atual e futura, através da doação de cópias digitalizadas da coleção para bibliotecas públicas do país. Sendo assim, acho justo que além do resultado seja também compartilhado o processo. Em outras palavras: venho convidá-los a descascar comigo o abacaxi.
A primeira fase do projeto consistiu na busca de profissionais da área de restauro em papel. A coleção estava encadernada com costura, e 3 bailarinas de metal que aceleravam ainda mais os processos de deterioração do papel. Meu norte nessa fase foi o curso “Organização e Preservação de Acervos Fotográficos”, ministrado por Sergio Burgi no Instituto Moreira Salles, com o qual adquiri noções básicas de preservação de acervos, e conheci Ana Carla e Gláucia que me guiaram no labirinto: procure fulana, sicrana, beltrana – só agora percebo que falei só com mulheres. E assim cheguei na Nilza Saiki, da Cartonnage – www.cartonnage.com.br , em Santo André, SP, que foi quem acabou fazendo o serviço de restauro.
Seguem foto, de Paulo Saiki, da restauração do Boletim (ver mais em Galeria de Fotos)
Projeto realizado com Recursos Federais - Ministério da Cultura
FUNARTE - Fundação Nacional de Arte/Centro de Artes Cênicas
Apoio:
DPH-PMSP - Departamento do Patrimônio Histórico/Prefeitura Municipal de S. Paulo
ASFACI - Associação de Famílias e Artistas Circenses