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UNIDOS SEREMOS FORTES
A tradição que está sendo conspurcada: a vida de Cristo representada até em Circo de Cavalinhos

Publicado por admin em 03 Mai 2007 | sob: circo, circo-teatro

Segue outro artigo citado

“A tradição que está sendo conspurcada:
a vida de Cristo representada até em Circo de Cavalinhos

Sob esse título espalhafatoso, o brilhante vespertino A Gazeta em sua edição de 10 de abril último, estampa um artigo em que seu autor o Sr. Benedito Ribeiro diz cobras e lagartos à propósito da extraordinária concorrência que durante a semana santa afluiu esse ano aos teatros e circos dessa capital, atraída pelas representações do conhecido drama sacro O Mártir do Calvário. Extremamente irritado pelo fato de ficarem as igrejas quase desertas naqueles dias consagrados à comemorações tão solenes, sua senhoria perde as estribeiras e, fazendo uma lamentável confusão entre catolicismo e cristianismo, começa afirmando que justamente é entre os povos católicos e cristãos que a sagrada tradição está sendo menosprezada, porque os devotos, católicos e cristãos, abandonando as igrejas às moscas, preferem assistir às representações do belo drama de Eduardo Garrido em Revistas, Vaudevilles e, óh, coisa inominável, até nos circos de cavalinhos, onde as divinas figuras de Cristo e da Virgem são feitas por artistas cômicos e raparigas jeitosas.
(..) Que diria o Sr. Ribeiro, se, ao contrário do que tem acontecido, a conhecida peça sacra fosse representada exclusivamente, num theatro de 1ª ordem, como o nosso municipal, por artista que ganhassem ordenados fabuloso se não trabalhassem em revistas e pochades.
(…) O sr. Benedito Ribeiro está redondamente enganado. As troups de artistas de circo são, na sua grande maioria, compostos de famílias legalmente constituídas, no seio das quais reina sempre o maior respeito e a mais correta moralidade.
(…) O sr. Ribeiro, que segundo nos parece é também versado em coisas de sacristia, deve já ter compreendido que infringiu o 8º mandamento… Faça, pois, o seu acto de contricção.”
Boletim Mensal da Federação Circense, nº 12, 10 de maio de 1926

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UNIDOS SEREMOS FORTES
A coleção - Parte I

Publicado por admin em 26 Abr 2007 | sob: artistas circenses, circo, circo-teatro, história

A coleção Boletim Mensal da Federação Circense foi constituída por Francisco Colman, que eu vim a conhecer no ano de 1979, na Academia Piolin, que funcionava então debaixo das arquibancadas do estádio do Pacaembu, em São Paulo, SP, onde eu era aluna, e ele, o diretor. Eu estava então com 20 anos, e ele, chegando aos 80.
Francisco Colman gostava de contar histórias de glória do seu passado. Como artista orgulhava-se principalmente do número de barra, em que executava o temível “casse-couz”, e da adaptação que realizara do filme “O Signal da Cruz” para o circo-teatro. Vamos encontrá-lo no livro Circo Nerino, de minha autoria com Roger Avanzi, na década de 1920, tanto nas fotografias como nas lembranças de seu Roger, já que seu Colman foi o seu primeiro professor de alfabetização. No Boletim da Federação Circense ele é citado algumas vezes como o secretário do Circo Nerino. Tempos depois, em 1936 lançou a Scena – Revista Circense, Órgão Oficial do Circo Theatro Romano, que a partir de 1938 passou a ser independente. (É nessa coleção que encontrei a única referência sobre o final da Federação Circense, no ano de 1938.) No final da década de 1950, Francisco Colman foi diretor e redator da revista Máscaras – Órgão Oficial do Sindicato dos Atores Teatrais , Cenógrafos e Cenotécnicos do estado de São Paulo. E na década de 70, presidente da Associação Piolin de Artes Circenses, entidade então responsável pela Casa do Ator, em São Paulo, SP, situada na rua de mesmo nome, nº 275, Vila Olímpia, São Paulo, SP, onde hoje funciona a Faculdade Anhembi Morumbi, e pela Academia Piolin.

Seu Colmam só andava de terno. E ternos muito bem cortados. Muito elegante seu Colman, muito elegante. E nos dias de frio, ele colocava, sobre o terno, um casaco preto, de boa lã, que lhe chegava até os joelhos, e o deixava com a aparência de um lord inglês, daqueles que a gente vê nos filmes. No começo, ele aparecia freqüentemente na Academia Piolin, sempre acompanhado de seu secretário, seu Waldemar, que também só vivia de terno. Chegava sempre animado, dava palpites, aplaudia a evolução de um aluno, dava-lhe conselhos, contava feitos de sua época de glória e ria muito. Tinha problema sério de audição, quase gritávamos para falar com ele. Os professores da Academia o respeitavam muito, mas os mais gaiatos não se furtavam a fazer gozações com ele. Tinha um que falava alto o que ele queria que seu Colmam ouvisse, tipo: como vai seu Colmam? E falava baixo o que não era para ser ouvido, tipo:o senhor está caducando… Era difícil segurar o riso.

Foi em outubro de 1980, que eu passei a vê-lo com outros olhos. Estávamos na Semana da Criança, e havia sido programado um espetáculo dos alunos e professores da Academia Piolin no Circo Romano, então armado no Parque da Água Branca, em São Paulo. Minutos antes de começar o espetáculo, ele passou mal, seu coração descompassou com a emoção que sentiu ao ver o circo lotado para assistir ao espetáculo da escola que ele havia implantado, a primeira escola de circo do Brasil, sonho acalentado por várias gerações de circenses.
Ele foi levado para detrás das cortinas e ficou deitado numa cama improvisada no chão, enquanto aguardava o resgate. Nós, os alunos, não ousávamos nos aproximar dele, só os professores. A platéia reclamava o atraso: começa, começa, começa!… Enfim, o resgate chegou e levou seu Colman. Uma professora convocou uma roda, puxou uma oração, e em seguida, começamos o espetáculo. No final, chegou a boa notícia, seu Colman estava bem. Tinha sido só um susto. Um susto que mexeu profundamente comigo. Tive talvez, pela primeira vez consciência da importância histórica do momento que vivia. Passei a ver seu Colman de uma maneira diferente. Passei a respeitá-lo, não formalmente mas de verdade. Mais que isso: me afeiçoei a ele.

Foi com seu Colman que eu descobri que diretor/dirigente/secretário de circo, pelo menos os da antiga, têm sempre a carteira recheada de notas. Então, eu e minhas colegas que éramos extremamente duras na época, sempre que seu Colmam aparecia, arrumávamos um jeito de levá-lo até o camarim. Lá dentro, fazíamos-lhe cócegas e falávamos: seu Colman, arruma um dinheirinho pra gente! Ele ria… “Essas meninas!!!” Depois, sacava sua carteira e, rindo, dava uma nota para cada uma de nós.

Ele sempre ressaltava a importância do diploma que nós receberíamos no final do curso – que correspondia a montagem de um número. Na época, eu não dava a menor importância para o diploma que ele tanto falava. Finalizei o curso com a montagem e apresentação de um número de malabares e equilibrismo – eu, o Leo, e o Breno Moroni. Nós jogávamos claves, argolas. Trocávamos, jogávamos juntos, fazíamos roubadinha. O Leo jogava chapéus de palha para a platéia que voltavam para suas mãos como bumerangues, e no final, eu subia no monociclo, dava uma voltinha, parava num ponto do picadeiro e, de cima do monociclo, recebia os pratos que o Leo e o Breno me arremessavam em ritmo crescente. E tinha a tal das caçapas… Tinha até esquecido. Meu inferno!!! Amarrava um cinto de couro na cintura no qual estavam presas 3 caçapas, duas na frente – uma do lado esquerdo e outra do direito - , e uma atrás , no centro, na linha da coluna. A minha façanha consistia em encaçapar as três bolas, primeiro as duas da frente, e no final, a de trás. Como eu ensaiei esse número… O Jota, Ubirajara Fernandes, instrutor, diretor e tirano absoluto do número, e também construtor dos aparelhos, fez questão de fazer a boca da caçapa pouca coisa maior que a bola. Isto, dizia ele, para que eu chegasse à precisão absoluta. Muitos faziam esse número mais com a boca da caçapa maior, daquele tamanho eu seria a primeira. Então, geralmente uma das bolas batia no aro da caçapa e pulava pra fora.
No dia da apresentação, não consegui encaçapar a bola de trás. Tentei uma, duas, três. Aí o Breno, pegou a bola e ele mesmo a colocou na caçapa. Que tristeza! Conclusão: desisti. Hoje, não chego nem perto de sinuca.

Quanto ao diploma, esqueci completamente. Mas em 1985, quando fundei a Escola Picolino de Artes do Circo, em Salvador, BA, achei importante tê-lo em mãos. No ano seguinte, passando por São Paulo, fui a “Casa do Ator”, procurar seu Colman, pedir-lhe que me desse o meu canudo de papel.

A Casa do Ator não era apenas uma casa, eram várias. Tinha uma casa central, e outras casas, inclusive uma edícula comprida, uma capela, um jardim e acho que mais uma pequena casa no fundo do terreno. Entre os apartamentos situados na edícula, esses com quarto e banheiro, e nas outras casas, acredito que havia uma média de uns 25. Muitas vezes, a Academia Piolin ensaiou no quintal da Casa do Ator, no início da década de 1980, e já na época, a maioria de seus apartamentos estavam vazios. Eu gostava muito de entrar neles e fuçar as coisas que lá estavam. Lembro de figurinos, mobiliário e aparelhos de consultório médico e dentário. Fora da Academia, muitos diziam que seu Colman havia usurpado a Casa do Ator, patrimônio do Sindicato dos Artistas de São Paulo. Nada posso afirmar, essa história precisa ser investigada antes de ser julgada. Me restrinjo a relatar o que vivi.

Cheguei na Casa do Ator, em busca do meu diploma de equilibrista e malabarista, numa manhã de janeiro de 1986, por volta das 10h00. Seu Colman, começava o dia. Mal o reconheci. Nem terno usava. Morava na casa escritório. Lugar amplo, mas nada aconchegante. Assim que entrei, senti cheiro forte de corpo dormido, remédio, urina. Havia uma cama de solteiro encostada à parede, escrivaninha, e o que é mais presente na retina da minha memória, armários de vidro usados nos consultórios médicos e dentários, mas que no caso guardavam objetos do dia a dia: caneca, tinteiro, dentadura.

Num fogareiro elétrico, de uma boca só, ele cozinhava um ovo que quebrara durante o cozimento, espalhando a clara na água fervente. Depois de comer a gema e o que conseguira pescar da clara, pude então explicar o motivo da minha visita: o tal diploma. Ele então pegou um pedaço de papel escreveu de próprio punho, e depois, sem a menor cerimônia, sem mesmo apertar minha mão, me passou o diploma que tanto me prometera.

Fui ler o que ele tinha escrito, era alguma coisa como: declarou que Verônica Tamaoki se formou na Academia Piolin… No final, a data: dia tal de janeiro de 1886.
Eu disse: seu Colman, nós estamos em 1986!!! Ele não compreendeu. Gritei. Ele então pegou a caneta e no lugar do primeiro 8 escreveu 9.

Antes de ir embora, fui até a casa avarandada, procurar seu Waldemar. Não tinha ninguém. Da sala, dei uma espiada no corredor. Todas as portas estavam fechadas. Saí da casa central, passei pelo quintal, e entrei na capela.

- Meu Deus, o que aconteceu? Porque essa casa vazia? Artistas não envelhecem, não adoecem, não ficam desamparados?

Retornei a Casa do Ator, em 1991/1992. Quem me abriu as portas foi seu Waldemar, seu Colman já havia falecido. Seu Waldemar, que sempre foi muito gentil, e a quem eu também me afeiçoei, permitiu que eu consultasse o acervo de seu Colman. Nesse dia, encontrei a última moradora da Casa dos Atores, a então octagenária Geni. Filha dos russos Ivan e Tâmara Rundade, especialistas em arte eqüestre – estilo cossaco, e que se casou com Guido, o italiano que introduziu o Globo da Morte no Brasil.Conversamos. Ela lamentou ter perdido seu álbum de fotografias. E me contou, com os olhos cheios d’água, que um dia levara seu álbum para mostrar para uns amigos, e que na volta o esquecera no ônibus. Nunca mais o encontrou.

Á véspera do novo proprietário da Casa do Ator, a faculdade Anhembi - Morumbi tomar posse do imóvel, seu Waldemar, acredito que percebendo que tudo ia virar pó, me autorizou a levar o que eu achasse importante. Se fosse hoje, teria encostado um caminhãozinho, mas na época, levei o que coube num táxi. E entre as coisas que separei, trouxe comigo a coleção do Boletim Mensal da Federação Circense. Foi assim que ela chegou em minhas mãos.

colmanweb 1 - Francisco Colman - início década de 1980
Francisco Colman - 1979 ou 1980

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UNIDOS SEREMOS FORTES
A Federação e a Chacara Circense

Publicado por admin em 24 Abr 2007 | sob: circo, teatro, circo-teatro, história, circenses

A Federação Circense foi fundada no dia 20 de março de 1925, sob o lema UNIDOS SEREMOS FORTES. Conforme seu estatuto, tinha como meta “congregar todos os artistas, empresários, diretores, secretários, músicos e quaisquer outros auxiliares de circo, com o fim de se beneficiarem mutuamente, elevando a classe, moral e materialmente, e empenhando-se com todas as forças pela maior harmonia entre os seus membros”.
O principal objetivo da Federação era “manter um LAR e um HOSPITAL, próprio ou não, para amparar o artista na invalidez, na indigência e nas enfermidades, e os órfãos, de associados, em condições precárias”.

Conforme seu estatuto, a Federação Circense era administrada por:uma Diretoria Central, com o mandato de um ano e com direito à reeleição, formada por Presidente, Vice Presidente, Primeiro Secretário e Tesoureiro, todos os cargos com 3 representantes – 1º , 2º e 3º -. eleitos em Assembléia Geral. Possuía também um Conselho Fiscal Consultivo: formado por 11 membros, sendo 9 efetivos e 6 suplentes, também eleitos em Assembléia Geral..
E era composta por delegacias assim denominadas:
Delegacias Gerais – São Paulo e Rio de Janeiro – constituídas por associados “avulsos ou de residência fixa”.
Delegacias Fixas – em localidades onde tivessem residência fixa ao menos dez associados. Faziam parte dessa categoria principalmente as corporações musicais.
Delegacias Ambulantes – circos itinerante filiados

Todas delegacias possuíam uma diretoria central constituída de um delegado, um secretário e um tesoureiro, sendo que as duas delegacias gerais possuíam mais três auxiliares: dois inspetores e um procurador, sendo este último responsável pela cobrança das mensalidades dos associados avulsos.Todos os associados estavam necessariamente subordinados a uma delegacia.

Em menos de 2 anos – com o pagamento de mensalidades e jóias de admissão dos associados, festivais (espetáculos cuja renda era revertida para a Federação) e outras fontes como doações, vendas de clichês, carteiras de identificação, cartões, e taxa de entradas de favor, a Federação Circense acumulou capital que a permitiu, em janeiro de 1927, adquirir uma chácara de 25 000 metros quadrados, no bairro da Saúde, cidade de São Paulo, para que nela fosse erguido um “LAR e um HOSPITAL para o artista circense.

O Boletim Mensal da Federação Circense de abril de 1927, nº 24, publicou mais detalhes sobre a chácara adquirida, denominada CHÁCARA CIRCENSE, parece até a descrição da terra prometida:

“Trata-se de um propriedade, distante 15 km do Largo da Sé, e 1800 m do bonde Av. Jabaquara, , com uma área de 25 000 metros quadrados, tendo água corrente, uma excelente fonte de água potável, podendo ser a mesma explorada para a venda em garrafões, dada a sua quantidade e pureza, uma casa de moradia construída de tijolos, uma casinha com paredes de barro e pau a pique, uma cocheira para animais, um carramanchão de bom acabamento, um poço revestido de tijolos com encanamento e respectiva bomba, e as seguintes plantações: 4 mil pés de abacaxis, mil pé de eucalyptos, 500 videiras, 400 pinheirinhos, 103 pereiras, 40 mexeriqueiras, 25 limeiras, 15 pessegueiros, 15 pés de ameixa do Pará, 13 pés de kakys, 12 figueiras, 15 ameixeiras, 11 cidreiras, 11 castanheiras, 7 macieiras, 7 jabuticabeiras, 9 marmeleiros, 4 goiabeiras, 1 pinheiro. 16 cafeeiros, além de outras plantações que não foram anotadas, convindo salientar que na sua quase totalidade, as fruteiras aqui enumeradas acham-se em franca productividade, sendo o solo fertilíssimo, e dispondo ainda de terreno para desenvolver maior número de plantações.”

Como a coleção que se encontra sob minha guarda possui apenas os nºs 1 a 25 e 43, não tenho como acompanhar a trajetória da Federação através do Boletim. Ainda não encontrei nada relevante nas consultas que tenho feito em acervos de imprensa da época. Aí me lembrei da coleção revista Scena do Circo Theatro Romano, editada por Francisco Colman. Fui consultá-la. Encontrei artigo anunciando a dissolução da Federação Circense em 1938. Surpresa! Eu supunha que isso tivesse acontecido em 1929, quando a Cruz Azul iniciou construção de seu hospital no bairro do Cambuci, já que eu também supunha que o hospital tinha sido erguido na antiga CHÁCARA CIRCENSE. Mas hoje, ao receber as certidões que solicitei ao 1o Cartório de Ofício de Imóveis de São Paulo, descobri que a CHÁCARA CIRCENSE estava localizada no bairro Saúde e que foi transferida para a Cruz Azul em 1937.

Na próxima edição irei abordar outros aspectos da Federação Circense como número de associados e delegacias. Termino solicitando colaborações e sugestõe. Até já.

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UNIDOS SEREMOS FORTES
Apresentação

Publicado por admin em 19 Abr 2007 | sob: circo, teatro, circo-teatro, história

A partir de hoje – 19 de abril de 2007, dia do Índio no mundo dos brancos – ocupo a tribuna deste blog para compartilhar o projeto de pesquisa “Unidos seremos Fortes”, que tem como objetivo fazer levantamento da história da primeira associação da classe circense no Brasil, a Federação Circense, fundada em 1925 na cidade de São Paulo.

O projeto nasceu da necessidade de interromper processos de deterioração, restaurar e preservar a coleção Boletim Mensal Federação Circense, (Nº 1 ao 25, e 43, publicados entre 1925 e 1928), e, por fim, compartilhar essa valiosa fonte de pesquisa sobre o circo brasileiro com a geração atual e futura, através da doação de cópias digitalizadas da coleção para bibliotecas públicas do país. Sendo assim, acho justo que além do resultado seja também compartilhado o processo. Em outras palavras: venho convidá-los a descascar comigo o abacaxi.

A primeira fase do projeto consistiu na busca de profissionais da área de restauro em papel. A coleção estava encadernada com costura, e 3 bailarinas de metal que aceleravam ainda mais os processos de deterioração do papel. Meu norte nessa fase foi o curso “Organização e Preservação de Acervos Fotográficos”, ministrado por Sergio Burgi no Instituto Moreira Salles, com o qual adquiri noções básicas de preservação de acervos, e conheci Ana Carla e Gláucia que me guiaram no labirinto: procure fulana, sicrana, beltrana – só agora percebo que falei só com mulheres. E assim cheguei na Nilza Saiki, da Cartonnage – www.cartonnage.com.br , em Santo André, SP, que foi quem acabou fazendo o serviço de restauro.

Seguem foto, de Paulo Saiki, da restauração do Boletim (ver mais em Galeria de Fotos)

boletim 1 - anúncio Piolin e Harrys

boletim 2 - casos tristes

boletim 3 - anuncios

boletim 4 - início restauro

boletim 5 - inicio restauro 1

boletim 6 - inicio restauro 2

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