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UNIDOS SEREMOS FORTES
Por que se dá com relativa facilidade um salto mortal na zona norte do Brasil, principalmente na banhada pelo Equador?

Publicado por admin em 02 Mai 2007 | sob: artistas circenses, circo, circenses, acrobacia

Segue artigo de Raul Olimecha, citado na edição anterior deste blog, e publicado no Boletim Mensal da Federação Circense nº 5, 20 de setembro de 1925

“Por que se dá com relativa facilidade um salto mortal na zona do norte, principalmente na banhada pelo Equador?

É notório que a Terra possue duas grandes forças em sentidos diametralmente opostos: atração e repulsão. Nada sai do nosso planeta senão por um deslocamento dessa lei universal. Na linha equatorial, a força de repulsão exerce uma poderosa influência, de modo que o saltador, com um pequeno impulso, sobe facilmente num salto mortal a boa altura, sobrepondo-se entre as duas forças contrárias, que não se vê cá para os lados da zona sulina onde não se tem a influência da linha equatorial, predominando por isso a força de atração da terra. Cremos que é devido a esse fenômeno que a gurizada do norte salta com extrema perícia e agilidade, fazendo por vezes, variedades de salto que levariam à estupefação alguns dos nossos melhores saltadores que ainda não tiveram o ensejo de conhecer as encantadoras plagas do norte.”
Raul Olimecha

Projeto realizado com Recursos Federais - Ministério da Cultura
FUNARTE - Fundação Nacional de Arte/Centro de Artes Cênicas

Apoio:
DPH-PMSP - Departamento do Patrimônio Histórico/Prefeitura Municipal de S. Paulo
ASFACI - Associação de Famílias e Artistas Circenses

UNIDOS SEREMOS FORTES
A Federação e a Chacara Circense

Publicado por admin em 24 Abr 2007 | sob: circo, teatro, circo-teatro, história, circenses

A Federação Circense foi fundada no dia 20 de março de 1925, sob o lema UNIDOS SEREMOS FORTES. Conforme seu estatuto, tinha como meta “congregar todos os artistas, empresários, diretores, secretários, músicos e quaisquer outros auxiliares de circo, com o fim de se beneficiarem mutuamente, elevando a classe, moral e materialmente, e empenhando-se com todas as forças pela maior harmonia entre os seus membros”.
O principal objetivo da Federação era “manter um LAR e um HOSPITAL, próprio ou não, para amparar o artista na invalidez, na indigência e nas enfermidades, e os órfãos, de associados, em condições precárias”.

Conforme seu estatuto, a Federação Circense era administrada por:uma Diretoria Central, com o mandato de um ano e com direito à reeleição, formada por Presidente, Vice Presidente, Primeiro Secretário e Tesoureiro, todos os cargos com 3 representantes – 1º , 2º e 3º -. eleitos em Assembléia Geral. Possuía também um Conselho Fiscal Consultivo: formado por 11 membros, sendo 9 efetivos e 6 suplentes, também eleitos em Assembléia Geral..
E era composta por delegacias assim denominadas:
Delegacias Gerais – São Paulo e Rio de Janeiro – constituídas por associados “avulsos ou de residência fixa”.
Delegacias Fixas – em localidades onde tivessem residência fixa ao menos dez associados. Faziam parte dessa categoria principalmente as corporações musicais.
Delegacias Ambulantes – circos itinerante filiados

Todas delegacias possuíam uma diretoria central constituída de um delegado, um secretário e um tesoureiro, sendo que as duas delegacias gerais possuíam mais três auxiliares: dois inspetores e um procurador, sendo este último responsável pela cobrança das mensalidades dos associados avulsos.Todos os associados estavam necessariamente subordinados a uma delegacia.

Em menos de 2 anos – com o pagamento de mensalidades e jóias de admissão dos associados, festivais (espetáculos cuja renda era revertida para a Federação) e outras fontes como doações, vendas de clichês, carteiras de identificação, cartões, e taxa de entradas de favor, a Federação Circense acumulou capital que a permitiu, em janeiro de 1927, adquirir uma chácara de 25 000 metros quadrados, no bairro da Saúde, cidade de São Paulo, para que nela fosse erguido um “LAR e um HOSPITAL para o artista circense.

O Boletim Mensal da Federação Circense de abril de 1927, nº 24, publicou mais detalhes sobre a chácara adquirida, denominada CHÁCARA CIRCENSE, parece até a descrição da terra prometida:

“Trata-se de um propriedade, distante 15 km do Largo da Sé, e 1800 m do bonde Av. Jabaquara, , com uma área de 25 000 metros quadrados, tendo água corrente, uma excelente fonte de água potável, podendo ser a mesma explorada para a venda em garrafões, dada a sua quantidade e pureza, uma casa de moradia construída de tijolos, uma casinha com paredes de barro e pau a pique, uma cocheira para animais, um carramanchão de bom acabamento, um poço revestido de tijolos com encanamento e respectiva bomba, e as seguintes plantações: 4 mil pés de abacaxis, mil pé de eucalyptos, 500 videiras, 400 pinheirinhos, 103 pereiras, 40 mexeriqueiras, 25 limeiras, 15 pessegueiros, 15 pés de ameixa do Pará, 13 pés de kakys, 12 figueiras, 15 ameixeiras, 11 cidreiras, 11 castanheiras, 7 macieiras, 7 jabuticabeiras, 9 marmeleiros, 4 goiabeiras, 1 pinheiro. 16 cafeeiros, além de outras plantações que não foram anotadas, convindo salientar que na sua quase totalidade, as fruteiras aqui enumeradas acham-se em franca productividade, sendo o solo fertilíssimo, e dispondo ainda de terreno para desenvolver maior número de plantações.”

Como a coleção que se encontra sob minha guarda possui apenas os nºs 1 a 25 e 43, não tenho como acompanhar a trajetória da Federação através do Boletim. Ainda não encontrei nada relevante nas consultas que tenho feito em acervos de imprensa da época. Aí me lembrei da coleção revista Scena do Circo Theatro Romano, editada por Francisco Colman. Fui consultá-la. Encontrei artigo anunciando a dissolução da Federação Circense em 1938. Surpresa! Eu supunha que isso tivesse acontecido em 1929, quando a Cruz Azul iniciou construção de seu hospital no bairro do Cambuci, já que eu também supunha que o hospital tinha sido erguido na antiga CHÁCARA CIRCENSE. Mas hoje, ao receber as certidões que solicitei ao 1o Cartório de Ofício de Imóveis de São Paulo, descobri que a CHÁCARA CIRCENSE estava localizada no bairro Saúde e que foi transferida para a Cruz Azul em 1937.

Na próxima edição irei abordar outros aspectos da Federação Circense como número de associados e delegacias. Termino solicitando colaborações e sugestõe. Até já.

Projeto realizado com Recursos Federais - Ministério da Cultura
FUNARTE - Fundação Nacional de Arte/Centro de Artes Cênicas

Apoio:
DPH-PMSP - Departamento do Patrimônio Histórico/Prefeitura Municipal de S. Paulo
ASFACI - Associação de Famílias e Artistas Circenses