Terça, 8 de Maio de 2007
Arquivo Diário
Canal de comunicação e expressão de Verônica Tamaoki - seus trabalhos, seus projetos, suas dúvidas, seus desejos, seus anseios
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Publicado por admin em 08 Mai 2007 | sob: artistas circenses, circo, associação classe circense
O quadro “situação presente dos circos associados” de julho de 1925, publicada na última edição deste blog, não tem a precisão de um recenseamento - recensemaneto que a própria classe reinvidicava na época - mesmo assim serve como referência para avaliarmos a atividade circense desse período no Brasil. Vejamos: o quadro apresenta 49 circos, sendo que nesse mesmo período, o boletim aponta a existência de mais 20 circos que até então não haviam se associado à Federação.
Um outro quadro, infelizmente publicado apenas nos primeiros números do boletim, chamado “Movimento Associativo”, relacionava o número de sócios de cada delegacia, totalizando média de 1200 associados.
E eu pergunto: a partir desses dados é possível fazer uma estimativa de quantos circenses e quantos circos existiam no Brasil?
E hoje, quantos somos? Quando será realizado o recenseamento da classe circense? É viável?
Seguindo, dos 49 circos relacionados, 30 estão localizados no estado de São Paulo, 10 em Minas Gerais, 5 no Rio de Janeiro, e apenas um circo nos estados do Acre, Paraíba, Paraná, e Rio Grande do Sul.
É claro que, num país continental como o nosso e com os meios de comunicação de então, era mais fácil a Federação associar os circos do estado, São Paulo, em que estava sediada. Por outro lado, era para São Paulo que a maioria dos circos se dirigiam, atraídos pela onda verde do café que urbanizava, financiava, industrializava, modernizava São Paulo. Entre 1884 e 1914 entraram em São Paulo cerca de setecentos e cinquenta mil trabalhadores - italianos, espanhõis, , japoneses, sírio libaneses, alemães, entre outros. Uma platéia bastante considerável, que os circos disputavam em históricas “competências”.
“O café estava por cima. O dinheiro corria como água. Nosso circo mudou-se para São Paulo. E iniciamos jornadas pelos centros cafeeiros mais prósperos: Campinas, Ribeirão, Atibaia, Jundiaí…” Benjamim de Oliveira em depoimento ao jornalista Brício de Abreu.
Roger Avanzi, que na época era menino, tem lembranças da dificuldade que o circo do seu pai, o Circo Nerino, encontrava para circular na década de 1920 pelo interior paulista. Em toda cidade, diz ele, havia um circo. O que provocava freqüentemente o encontro de dois circos numa mesma praça, disputando o mesmo público, o que os circenses chamam de “competência”.
Ao mesmo tempo em que esse aglomerado de circos no estado de São Paulo provocou muitas competições, despertou a consciência de classe no seio da classe circense, num período em que os trabalhadores se reuniam para reivindicar seus direitos. Em 1917, a greve geral realizada em São Paulo envolveu 45 mil operários, praticamente todos os trabalhadores. Novas greves aconteceram em 1919 e 1920, e as manifestações populares contra a carestia reuniam verdadeiras multidões nesse período. E havia também o exemplo da revolução soviética de 1917. Tudo isso, acredito, despertou a consciência da classe circense a fundar no dia 20 de março de 1925, a Federação Circense, sob o lema UNIDOS SEREMEOS FORTES
Projeto realizado com Recursos Federais - Ministério da Cultura
FUNARTE - Fundação Nacional de Arte/Centro de Artes Cênicas
Apoio:
DPH-PMSP - Departamento do Patrimônio Histórico/Prefeitura Municipal de S. Paulo
ASFACI - Associação de Famílias e Artistas Circenses