Quarta, 2 de Maio de 2007
Arquivo Diário
Canal de comunicação e expressão de Verônica Tamaoki - seus trabalhos, seus projetos, suas dúvidas, seus desejos, seus anseios
Arquivo Diário
Publicado por admin em 02 Mai 2007 | sob: artistas circenses, circo, circenses, acrobacia
Segue artigo de Raul Olimecha, citado na edição anterior deste blog, e publicado no Boletim Mensal da Federação Circense nº 5, 20 de setembro de 1925
“Por que se dá com relativa facilidade um salto mortal na zona do norte, principalmente na banhada pelo Equador?
É notório que a Terra possue duas grandes forças em sentidos diametralmente opostos: atração e repulsão. Nada sai do nosso planeta senão por um deslocamento dessa lei universal. Na linha equatorial, a força de repulsão exerce uma poderosa influência, de modo que o saltador, com um pequeno impulso, sobe facilmente num salto mortal a boa altura, sobrepondo-se entre as duas forças contrárias, que não se vê cá para os lados da zona sulina onde não se tem a influência da linha equatorial, predominando por isso a força de atração da terra. Cremos que é devido a esse fenômeno que a gurizada do norte salta com extrema perícia e agilidade, fazendo por vezes, variedades de salto que levariam à estupefação alguns dos nossos melhores saltadores que ainda não tiveram o ensejo de conhecer as encantadoras plagas do norte.”
Raul Olimecha
Projeto realizado com Recursos Federais - Ministério da Cultura
FUNARTE - Fundação Nacional de Arte/Centro de Artes Cênicas
Apoio:
DPH-PMSP - Departamento do Patrimônio Histórico/Prefeitura Municipal de S. Paulo
ASFACI - Associação de Famílias e Artistas Circenses
Publicado por admin em 02 Mai 2007 | sob: artistas circenses, circo, história
Na edição passada, contei como foi que a coleção Boletim Mensal da Federação Circense chegou em minhas mãos, em 1991/1992. Hoje vou abordar, tentarei ser breve, o que aconteceu com a coleção desde que ela chegou em minhas mãos.
Num primeiro instante, nas primeiras leituras que fiz, dois artigos me chamaram a atenção:
“Por que se dá com relativa facilidade um salto mortal nas zonas do norte, principalmente as banhadas pelo equador”, de Raul Olimecha, (uma tese maluca para justificar o talento acrobático dos mulatos natos cafusos difusos das regiões do norte do Brasil).
“Uma tradição que está sendo conspurcada. A vida de Christo representada até em circo de cavallinhos”, Boletim nº 12, 10 de maio de 1926 (na Semana Santa o povo deixa as igrejas às moscas e lota os teatros e circos de cavalinhos para assistir A Paixão de Cristo)
Num segundo instante, a coleção foi fonte valiosa para o levantamento da história do Circo Nerino, pois através da sua coluna “Situação presente dos circos associados” pude acompanhar o deslocamento do Circo Nerino entre 1925 e 1927.
Devido ao processo avançado de deterioração da coleção não pude atender às solicitações de consulta, reprodução, de outros pesquisadores. Exceção feita apenas a Ermínia Silva, com quem dirijo o site www.pindoramacircus.com.br, que consultou à coleção na elaboração de sua tese de doutorado em história “As múltiplas linguagens na teatralidade circense. Benjamim de Oliveira e o circo teatro no Brasil no final do século XIX e início do XX”. E se assim fi-lo não foi porque qui-lo, como o Jânio Quadros, mas porque a cada manuseada, a coleção se esfarinhava. Teve gente que não entendeu, O Kid, José Vitor Galvão, por exemplo, chegou a ficar de mal comigo. Mas agora já ficou de bem. Ainda bem. Até publicou uma matéria sobre o livro Circo Nerino no jornal Arte & Diversões. Aproveito o espaço para lhe mandar um abraço.
Projeto realizado com Recursos Federais - Ministério da Cultura
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